Nanã
Nanã não tem pressa. Ela sabe que tudo volta para o barro.
Nanã Buruquê é a mais velha entre as águas e a terra. Senhora do barro, da lama e das águas profundas, carrega o tempo no corpo e a ancestralidade na memória. Em muitas narrativas, foi dela o barro que Oxalá recebeu para moldar os seres humanos.
Por isso Nanã guarda um lugar tão antigo e tão essencial: o da matéria primeira — úmida, escura, silenciosa — de onde a vida começa a tomar forma. Tudo que vive foi barro; tudo que vive volta ao barro. Ela não se apressa, porque o barro sempre espera.
Em Nanã, tudo fala de profundidade. Sua força não está na pressa, mas no que amadurece devagar. Ela lembra que há saberes que não nascem do imediatismo — nascem do tempo, da experiência e da escuta dos que vieram antes.
O que em você ainda precisa de tempo — e está sendo apressado?
