Iemanjá
O mar que acolhe todos os rios.
Yemoja, na tradição iorubá, é a mãe cujos filhos são peixes: senhora das águas, da fecundidade e do acolhimento. No Brasil, tornou-se a Rainha do Mar — a mais festejada das orixás, presente do candomblé ao réveillon de Copacabana, das flores brancas ao sal na pele de quem pede bênção.
Todos os rios deságuam nela. É essa a imagem: não importa o caminho, a curva, a lama que a água carregou — o mar recebe. Iemanjá é o colo que não pergunta de onde você vem, só reconhece que você chegou.
Mas o mar que acolhe também é o mar que engole: mãe não é sinônimo de mansidão. Há profundezas em Iemanjá que nenhum mergulho alcança — o amor dela é vasto, e o vasto também tem abismos.
O que em você ainda procura um colo que não pergunte de onde veio?
