Mammon
O que você alimenta com obsessão ganha olhos, fome e vida.
Historicamente, Mammon era apenas a palavra aramaica para riqueza. Mas o imaginário místico da Idade Média transformou a figura — o anjo caído que andava curvado, olhando apenas para o ouro do chão — em demônio da avareza. O nome virou entidade; a entidade virou espelho.
Para Jung, os antigos deuses e demônios não sumiram: viraram complexos e arquétipos. Quando a busca pelo ganho material vira obsessão, Mammon assume o controle do ego. É a neurose clássica — tentar preencher um vazio que é espiritual com algo que é abstrato.
O "pacto" moderno não pede sangue. Ele é assinado em parcelas, no burnout, na ansiedade da madrugada e na ilusão de que até o afeto e o descanso podem ser comprados.
Qual vazio o ouro promete preencher em você — e nunca preenche?
