Gnomos
Coloca os pés no chão.
Foi Paracelso, no século XVI, quem deu nome a eles. Ao organizar os seres elementais em quatro famílias — ondinas para a água, silfos para o ar, salamandras para o fogo —, reservou aos gnomos o elemento mais teimoso de todos: a terra. E os descreveu de um jeito que nunca mais saiu do imaginário: seres que atravessam a rocha e o solo com a mesma facilidade com que nós atravessamos o ar.
Isso muda tudo o que se costuma imaginar sobre eles. O gnomo não é enfeite de jardim, e nem foi inventado para ser fofo. Ele é guardião do que a terra esconde: raiz, mineral, semente, o que apodrece para virar adubo, o que leva anos para se formar a poucos centímetros da sola do nosso sapato. Um povo que trabalha devagar, no escuro, e que não tem pressa nenhuma de ser visto. Talvez por isso o folclore os pinte como desconfiados: quem cuida do lento costuma achar o apressado meio suspeito.
Guardar o subterrâneo é também guardar memória. Toda tradição que colocou pequenos guardiões embaixo da terra estava dizendo, à sua maneira, que existe um trabalho invisível sustentando o que aparece na superfície — e que esse trabalho merece respeito, oferenda e um pedido de licença antes de cavar.
E é aqui que esta collab começa, porque ela tem raiz. Foi no Bosque dos Gnomos, do ladinho da minha casa, que comprei meu primeiro baralho. Antes de existir Oráculo Cromático, antes de qualquer carta desenhada por mim, existiu aquele balcão e a decisão de levar um deck para casa. Anos depois, os gnomos atravessaram a terra e vieram parar aqui — e dois universos que eu amo se encontraram num vídeo feito com muita magia e algumas gnomices pelo caminho.
Do outro lado dessa aventura está Victor Valentim, o gnomo mais conhecido do Brasil e a voz por trás do Bosque dos Gnomos — que há anos apresenta o universo dos elementais para muita gente por aqui. Inclusive para mim. Obrigado, Bosque dos Gnomos, por embarcar nessa comigo.
Agora coloca os pés no chão e vem conhecer o mundo desses pequenos guardiões da Terra: assista à collab no Instagram e acompanhe as aventuras do Victor no perfil do Bosque.
O que em você está crescendo devagar, embaixo da terra, sem ainda ter dado sinal na superfície?
