Saci
O redemoinho que ri das certezas.
O Saci é pequeno, mas carrega um país inteiro dentro do redemoinho. Ele não vem dos castelos nem dos livros antigos da Europa: vem da mata, do terreiro, da estrada de terra, da cozinha com café passando, da avó dizendo “não assobia à noite”.
É ele quem explica o inexplicável com história: a meia que some, o leite que azeda, o vento que muda de direção, o cavalo amanhecido com a crina trançada. Uma perna só, gorro vermelho, cachimbo — e uma gargalhada que atravessa o quintal.
No fundo, o Saci é a lembrança de que nem tudo precisa ser domesticado pela lógica. Às vezes o mistério só quer passar correndo, rindo baixinho no meio das folhas — e a vida fica mais pobre quando a gente explica tudo.
Quando foi a última vez que você deixou algo sem explicação — de propósito?
